Itaúna, 23 de janeiro de 2018

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25 de novembro de 2017 às 07h00 - Atualizado: 16 de dezembro de 2017 às 09h45

Manobras, tropeços e “esperteza”

A semana foi mais quente que a passada, e os bastidores da política estão ardendo. As “baianadas oficiais” são tantas que, mais uma vez, não sei bem por onde começar, mas vamos lá. Na Câmara, as coisas vão de mal a pior, porque além do nível cada vez mais baixo nas discussões, somos obrigados a conviver com as intervenções do presidente Pinto, que se acha e não respeita o Regimento Interno da Casa. E por falar em Regimento, os vereadores precisam dedicar atenção à proposta do novo Regimento Interno, que chega ao plenário para aprovação. A proposta do procurador geral do Legislativo, Dr. Helimar Parreiras, por sinal advogado competente, suprime muitos artigos, cerca de 150, e a peça, ao que parece, concede ao presidente mais poderes, enfraquecendo o plenário substancialmente. É preciso cuidado, para que os vereadores, cada vez mais, não se transformem em verdadeiros fantoches. Na Câmara, também essa semana, uma discussão entre o vereador Silvano Gomes e o presidente Márcio Pinto, deixa evidente que há dois pesos e duas medidas na Casa, isso, apesar de, desta vez, o Senhor Pinto, estar certo, em parte, em seu posicionamento. O vereador Silvano queria que o presidente autorizasse que o carro oficial o levasse em casa, no povoado do Córrego do Soldado, após a reunião, caso estivesse chovendo. Márcio Pinto não autorizou e ainda discutiu aos gritos (o que lhe é peculiar) com o vereador. Concordamos que o carro não deve mesmo carregar vereador pra lá e pra cá, a não ser em incursões oficiais, mas se o carro leva e busca outros vereadores, então não há regra, e não pode então, haver exceções. Somos sabedores que os carros oficiais levam e buscam os vereadores Gleissinho e Anselmo em casa para as reuniões, por exemplo, e além deles, há outros vereadores que os utilizam como “táxis”. Não concordamos, apesar de sabermos que a alegação será a de que os dois são deficientes. Não justifica. Os dois concorreram ao cargo como os demais, ganham mensalmente como os demais e devem ter os mesmos tratamentos. Não justifica, por exemplo, os dois vereadores terem três assessores. Por quê? O vereador Silvano está totalmente errado, mas, o Senhor Pinto, também. E ele perde a razão ao usar o expediente do grito, o que lhe é peculiar.
Nos ares do Executivo, a semana foi marcada, mais uma vez, por atos intempestivos e porque não, irresponsáveis. Denúncias de funcionários apontam para uma possível prática de apropriação indébita por parte da Prefeitura, que descontou dos funcionários a parcela do empréstimo consignado feito junto à instituição bancária e não repassou o dinheiro, no caso, para a Caixa Federal. A folha de outubro foi paga no dia 13 e 14 de novembro, portanto, já com muito atraso, e o repasse para a Caixa só foi feito da segunda para terça-feira, dia 21. O ato da administração causou transtorno para alguns funcionários, que tiveram que passar pelo vexame de ficar sem crédito junto ao banco, que alegou estarem eles, inadimplentes. No nosso parco entendimento, a ação da prefeitura caracteriza duas coisas: apropriação indébita e pode gerar dano moral contra o município, além, é claro, de ser, como já afirmamos, um ato irresponsável, pois deixa o servidor em posição delicada.
Como se não bastassem os acontecimentos acima citados, temos notícias vindas do gabinete, de que o prefeito reclamou com um interlocutor, do promotor, que segundo ele, não tem o que fazer e fica “enchendo o seu saco”. Teria o prefeito, afirmado, inclusive, que vai mandar cortar o pé de manga novamente, porque não quer o fruto caindo na cabeça dos transeuntes. Bom, se ele realmente afirmou isso, fica caracterizado que os funcionários Joselito e Nelci Queiroz, de fato assumiram o ato do chefe. Como todos já sabem, na ação cível proposta no caso do corte do pé de manga, na casa da tia do prefeito, na Rua Padre Antônio, onde foram usados caminhões, um deles um muque, e máquinas, além de funcionários públicos, o prefeito não foi incluído, ficando claro que houve uma manobra para que os funcionários assumissem a pendenga. Mas se confirmado que ele falou no gabinete que vai mandar cortar novamente, é porque mandou na primeira vez, e aí, o MP propositor da ação, precisa rever a situação. E é no que acreditamos, aliás, todos acreditam. Ele foi excluído da ação apenas por causa de uma manobra jurídica. Essa é a nossa opinião. Com a palavra o representante do Ministério Público, responsável pela promotoria do patrimônio público.

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