Itaúna, 15 de novembro de 2018

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12 de maio de 2018 às 07h00 - Atualizado: 09 de junho de 2018 às 10h16

Lula: um mês no xilindró

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República Federativa do Brasil, de 2003 a 2011, de 73 anos de idade, completou, no último dia 07 de maio, um mês na prisão. Não irei entrar no mérito da questão de sua prisão. Falta-me conhecimento jurídico mais apurado – apesar de ser bacharel em Direito – para analisar tecnicamente o caso; e quem sou eu para colocar em dúvida uma sentença expedida por um juiz federal e ainda com decisões da Suprema Corte que corroboram com a mesma. Longe de mim questionar os ilustrados Ministros do Supremo Tribunal Federal.
Contudo, muitas são as lições que podem ser apreendidas dessa prisão. Em termos políticos, principalmente, tanto para a Direita, como para a Esquerda.
A corrupção não chegou ao fim por causa da prisão de Lula; ela continua firme e sorrateira e presente no cotidiano da cena brasileira, em maior ou menor escala e em todos os níveis e estruturas do Poder. Entretanto, outros processos começaram a ser movidos com uma maior celeridade. A Nação aguarda ansiosa o desenrolar da célebre “Operação Lava jato”; se será mesmo aplicada a Justiça para todos ou apenas para alguns.
Lula foi preso e este acontecimento foi noticiado pela imprensa do mundo inteiro. Porém, sua prisão não gerou a tal “comoção nacional”, aonde se anunciava uma “revolução” no país com quebradeiras, badernas, invasões e etc... Não. Isso não se verificou. O Brasil não parou por causa da prisão de Lula. O cidadão comum continua vivendo a sua rotina na normalidade e os botecos continuam cheios aos finais de semana. Nem a pelada do campinho de terra foi suspensa... O que se viu e se vê são os militantes de sempre, daqui e dali com seus brados de “Lula livre” e algumas ações revestidas de futilidade - como o carimbar de notas - e uma enxovalhada de fakes e montagens e notícias falsas espalhadas no mundo virtual. A Esquerda anunciou um “tsunami” e só se viu e se vê uma “marolinha”... Paradoxal. E o país segue o seu cotidiano; eu pensava mesmo que isso daria em algo a mais.
Agora restam as lições, que devem ser aprendidas por todos nós – brasileiros – seja que ideologia política adotemos. Que antes de tudo, possamos pensar no nosso país, sem tantas paixões, mas com um olhar mais racional para um futuro mais justo.
E as eleições se aproximam e, não querendo ser pessimista, mas na minha modesta e falível opinião, sabe o que irá acontecer? Nada! Absolutamente nada. A mesmice de sempre. Veremos o PT fazer alianças e conchavos com PSDB, MDB, PSOL, DEM e etc... E estes, por sua vez, idem! Bastará observar cada estado da Federação. Em cada um, parcerias e acordos dos mais escusos e assustadores serão costurados para se chegar ao Poder. A velha troca de favores, o toma lá dá cá de séculos. Negociando cargos, secretarias e ministérios entre si. E nós - o povo - reles detalhe, no meio da velha maracutaia de sempre.

*Historiador, Escritor e Membro da Academia Itaunense de Letras.

Prof. Luiz Mascarenhas - Réquiem para o Padre Nilo

ITAÚNA amanheceu mais pobre em seu cenário humano na manhã cinzenta do sábado, dia 12 de março do corrente ano. Partia para a eternidade o nosso tão querido Pe. Nilo.
Deixo aqui, a minha pequena contribuição sobre a Vida deste homem, com quem convivi desde a minha infância. Lembro-me bem da calça adidas, com as três listras, a camisa de malha branca, os tênis e um fusquinha que não me lembro bem a cor.
Todos os alunos postos em fila na linha vermelha da quadra e em silêncio. Seis horas da manhã. O relógio da Matriz de Sant’ana ecoava por toda a Itaúna a sua primeira badalada. E ele começava sua aula de Educação Física: “o anjo do Senhor anunciou a Maria...”
Nilo Caetano Pinto nasceu no distrito de Antônio dos Santos, em Caeté, Minas Gerais, em 24 de março de 1930. Era o filho mais velho de Carlito Caetano Pinto e Antônia Luiza Dinis e teve mais seis irmãos. Órfão de pai aos 11 anos, começou a trabalhar para ajudar em casa, sem deixar de lado os estudos, que seguiu até graduar-se em Educação Física pela UFMG.
Chegou em nossas barrancas ( graças a uma indicação do Cel. José Lázaro Guimarães- cunhado do Dr. Guaracy), já casado com Florescena Diniz Guimarães Pinto e tiveram teve oito filhos, dos quais conheceu 12 netos e um bisneto.
O nosso então Prof. Nilo lecionou na Escola Normal, a Escola Estadual de Itaúna, por 34 anos, como professor e vice-diretor. No Colégio Santa’Ana ficou durante 26 anos.
Nilo sempre foi um homem de Fé. Sempre engajado nos movimentos da Igreja. Ajudava com sua Família na Igreja da Piedade e na comunidade Sagrada Família do Bairro Cerqueira Lima, pois residia naquela região.
Em 1982, dona Florescena, sua esposa, veio a falecer. E aos 52 anos, ainda criando os filhos, resolveu dizer sim ao chamado desse Deus. Assim sendo, encaminhou-lhe Dom Cristiano Penna para a Faculdade de Teologia, da PUC Minas, em Belo Horizonte. Foi ordenado padre por Dom José Belvino do Nascimento, aqui em Itaúna no ano de 1990, no Poliesportivo JK.
Muitos o chamavam de “o homem dos 7 sacramentos”. Para nós católicos, os sacramentos são sinais visíveis da graça de Deus. São veículos dessa graça. E a maioria dos homens parte deste mundo com 6 sacramentos; pois ou se tem o sacramento do matrimônio ou o da Ordem ( que confere o sacerdócio católico).
Pois bem. O nosso Pe. Nilo partiu daqui na plenitude da graça! Com todos os 7 sacramentos! O último foi-lhe ministrado no leito do hospital, a unção dos enfermos, que o preparou para ir de encontro a Deus.
Em meio a tantas crises; eis o exemplo de Padre Nilo para nós. Exemplo de pai, de padre, de fidelidade, à Deus, à sua Palavra sobretudo. Enquanto esposo, honrou plenamente seu casamento sendo-lhe fiel até a morte de sua esposa. Enquanto padre, honrou plenamente o seu sacerdócio, sendo-lhe eternamente fiel. Enquanto homem, honrou plenamente a espécie humana, sendo humano com os humanos!
Descanse em Paz meu Pe. Nilo. Recebe agora a coroa da Justiça, a qual o Senhor, Justo Juiz, lhe deu naquele dia!
Misture sua luz a das estrelas...cintile quando o dia clarear.
Réquiem aeternam dona eis Domine, et lux perpetua luceat eis.

*paroquiano de Sant’ana

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