Itaúna, 14 de dezembro de 2017

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07 de outubro de 2017 às 07h00 - Atualizado: 04 de novembro de 2017 às 10h00

Itaúna – 116 Anos

As velhas barrancas de Sant’anna do rio São João Acima completam 116 anos como Itaúna. Longe se vai o alvorecer de seu povoamento, lá nos remotos idos do séc. 18; por volta do ano de 1720, quando por aqui aportaram errantes e viandantes dos muitos caminhos do sertão dos Cataguases, que aos poucos iria se transformando na Província das Minas Gerias - a dos índios e a do ouro.
A saga dos três sócios portugueses, mineradores, Gabriel da Silva Pereira, Thomás Teixeira e Manoel Neto de Mello, a cruzar as veredas do sertão, em busca de seus sonhos e destino. Gabriel, o de maior patente (tenente coronel) teria sido o responsável pela abertura da picada – entre Bonfim e Pitangui- na direção destas paragens; a “Paragem do rio São João”.
Cruzeiro fincado no alto do morro, a invocar as bênçãos dos céus e logo chega – em 1735- a imagem de Sant’anna Mestra, talhada em uma única peça de cedro e que foi adquirida na cidade de Setúbal, em Portugal. Colocada em tosco oratório de taipa, Sant’anna passou a agregar em torno de si, os forasteiros, os tropeiros e os santanenses, aqui nascidos e que na efervescência do comércio faziam o povoado movimentar-se e evoluir.
Erigida a Capela de Sant’anna, em 1765, o lugar se torna a Povoação Nova de Sant’anna do rio São João Acima de Pitanguy- porque a capela ficou sendo subsidiária da Igreja Matriz de Pitangui. E a roda da História gira e acelera. No séc. 19, surgem os rudimentos para uma possível cidade: a escola de primeiras letras (1850), a agência dos correios e telégrafos (1877), uma nova Matriz na parte de baixo do arraial (1853) e até mesmo água potável levada até a praça (1884) e ainda a fundação de uma companhia de teatro (1890) e a da Companhia de Tecidos Santanense (1895).
Ao despertar do séc. 20, surge com a primeira Constituição da República (1891), a oportunidade para a criação de novas cidades. Eis que ali, homens como o então pároco de Sant’anna- Pe. Antônio Maximiniano de Campos, o Dr. Augusto Gonçalves, o Major Senocrit Nogueira, Josias Nogueira Machado, deputado Dr. José Gonçalves se puseram a organizar a criação da cidade de Itaúna. Esta demanda se viu atendida pela Lei 318 de 16 de setembro de 1901, assinada no Palácio da Liberdade, pelo Governador Silviano Brandão.
Do arraial pecuarista e agrícola, passando pelas indústrias têxteis (Santanense e Itaunense) e ainda com sua vocação para a Educação; desaguando na fundação da Universidade; passando pelo apito da fábrica, que regeu o cotidiano de ontem ao com o burburinho real e virtual do tempo presente; eis a nossa Itaúna. Com novas demandas, novas carências e velhos dilemas a serem resolvidos. Saúde, Educação, Segurança Pública, geração de emprego e renda e junto e misturado ao complexo cenário econômico e político nacional e mundial, segue nossa cidade rumo a seu futuro.
Resta-nos agora, superar divergências e mediocridades de uma velha política atrasada de grupelhos, vaidades e projetos pessoais, para uma proposta inovadora, de vanguarda; voltada para o coletivo - com o pensamento reto nos destinos de nossa urbe- a fim de legar às gerações futuras, uma Itaúna, que de fato seja uma comuna brilhante. E que possamos sempre ser embalados pelo sonho de fé e grandeza dos que por aqui aportaram!

Artigo escrito por ocasião
das comemorações dos 116 anos de
Emancipação Político-Administrativo de Itaúna no dia 16 de setembro de 2017

Prof. Luiz Mascarenhas - Réquiem para o Padre Nilo

ITAÚNA amanheceu mais pobre em seu cenário humano na manhã cinzenta do sábado, dia 12 de março do corrente ano. Partia para a eternidade o nosso tão querido Pe. Nilo.
Deixo aqui, a minha pequena contribuição sobre a Vida deste homem, com quem convivi desde a minha infância. Lembro-me bem da calça adidas, com as três listras, a camisa de malha branca, os tênis e um fusquinha que não me lembro bem a cor.
Todos os alunos postos em fila na linha vermelha da quadra e em silêncio. Seis horas da manhã. O relógio da Matriz de Sant’ana ecoava por toda a Itaúna a sua primeira badalada. E ele começava sua aula de Educação Física: “o anjo do Senhor anunciou a Maria...”
Nilo Caetano Pinto nasceu no distrito de Antônio dos Santos, em Caeté, Minas Gerais, em 24 de março de 1930. Era o filho mais velho de Carlito Caetano Pinto e Antônia Luiza Dinis e teve mais seis irmãos. Órfão de pai aos 11 anos, começou a trabalhar para ajudar em casa, sem deixar de lado os estudos, que seguiu até graduar-se em Educação Física pela UFMG.
Chegou em nossas barrancas ( graças a uma indicação do Cel. José Lázaro Guimarães- cunhado do Dr. Guaracy), já casado com Florescena Diniz Guimarães Pinto e tiveram teve oito filhos, dos quais conheceu 12 netos e um bisneto.
O nosso então Prof. Nilo lecionou na Escola Normal, a Escola Estadual de Itaúna, por 34 anos, como professor e vice-diretor. No Colégio Santa’Ana ficou durante 26 anos.
Nilo sempre foi um homem de Fé. Sempre engajado nos movimentos da Igreja. Ajudava com sua Família na Igreja da Piedade e na comunidade Sagrada Família do Bairro Cerqueira Lima, pois residia naquela região.
Em 1982, dona Florescena, sua esposa, veio a falecer. E aos 52 anos, ainda criando os filhos, resolveu dizer sim ao chamado desse Deus. Assim sendo, encaminhou-lhe Dom Cristiano Penna para a Faculdade de Teologia, da PUC Minas, em Belo Horizonte. Foi ordenado padre por Dom José Belvino do Nascimento, aqui em Itaúna no ano de 1990, no Poliesportivo JK.
Muitos o chamavam de “o homem dos 7 sacramentos”. Para nós católicos, os sacramentos são sinais visíveis da graça de Deus. São veículos dessa graça. E a maioria dos homens parte deste mundo com 6 sacramentos; pois ou se tem o sacramento do matrimônio ou o da Ordem ( que confere o sacerdócio católico).
Pois bem. O nosso Pe. Nilo partiu daqui na plenitude da graça! Com todos os 7 sacramentos! O último foi-lhe ministrado no leito do hospital, a unção dos enfermos, que o preparou para ir de encontro a Deus.
Em meio a tantas crises; eis o exemplo de Padre Nilo para nós. Exemplo de pai, de padre, de fidelidade, à Deus, à sua Palavra sobretudo. Enquanto esposo, honrou plenamente seu casamento sendo-lhe fiel até a morte de sua esposa. Enquanto padre, honrou plenamente o seu sacerdócio, sendo-lhe eternamente fiel. Enquanto homem, honrou plenamente a espécie humana, sendo humano com os humanos!
Descanse em Paz meu Pe. Nilo. Recebe agora a coroa da Justiça, a qual o Senhor, Justo Juiz, lhe deu naquele dia!
Misture sua luz a das estrelas...cintile quando o dia clarear.
Réquiem aeternam dona eis Domine, et lux perpetua luceat eis.

*paroquiano de Sant’ana

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