Itaúna, 21 de outubro de 2017

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11 de fevereiro de 2017 às 07h00 - Atualizado: 18 de março de 2017 às 10h19

Inventei a Universidade em uma matéria de jornal publicada em 64

Não me tomem como cabotino, não quero falar de mim mesmo, mas passado mais de meio século não posso deixar de contar a verdadeira história da invenção da Universidade Itaúna. Tornou-se lugar comum dizer que quem conta a história são os vencedores e os que têm o poder, o dinheiro afinal. Sem dinheiro, mas com espaço de jornal, foi esse mesmo recurso midiático que usei há mais de cinquenta anos, em ação do mais completo ineditismo, para cogitar da implantação do ensino superior em Itaúna. Ninguém havia pensado nisso antes e, se pensou, não deu a ideia a público.
Meus primeiros ensaios sobre o assunto datam do ano de 1962, época em que ocupei a presidência da União Municipal dos Estudantes. Para desenvolver minhas ideias, tomei como base a proposta de implantação da Universidade de Brasília, que iniciava suas atividades letivas, na base da improvisação, com aulas ministradas em prédios inacabados da Esplanada dos Ministérios. As salas do campus só surgiriam depois, em terreno definitivo entre a Asa Norte e o Lago Paranoá.
Em 1964, quando fui escrever a matéria sugestiva dos cursos superiores, procurei nos arquivos da UME as anotações sobre o assunto, e fui informado de que a sede da entidade, no prédio da Prefeitura, havia sido esvaziada sem o cuidado de preservação do acervo de documentos e papéis ali depositados.
Até então, Itaúna estava tão alheia ao assunto que um grupo de itaunenses, ao invés de reivindicar escola para a cidade, matriculou-se em cursos em Divinópolis, instalados então sem autorização oficial. A cogitação de cursos superiores em Itaúna só começou a esquentar quando Miguel Augusto, acatando abaixo-assinado de professoras primárias e outros egressos da escola média e designado pelo governador Magalhães Pinto, tomou a si o encargo de fundar a Universidade de Itaúna, organizada como entidade mantida por uma fundação pública estadual.
Entre os cursos superiores instituídos pelo Estado em l965, os de Itaúna se destacaram de forma estrepitosa, graças à maciça publicidade de seus atos constitutivos, patrocinada por mim, modéstia à parte, no jornal ‘Estado de Minas’. Meses a fio, constantemente o jornal publicou, passo a passo, os atos que culminaram com a instalação da Universidade no início de 1966. A Universidade não gastou sequer um centavo com as publicações, liberalidade por mim conseguida graças à generosidade dos diretores da empresa jornalística, entre os quais destaco Odair de Oliveira, Pedro Aguinaldo Fulgêncio e Theodulo Pereira.
Resultado dessa publicidade pisada e repisada, o primeiro vestibular foi concorrido como se fosse de uma instituição tradicional. Na época, o jornalista Plínio Carneiro, assessor de comunicação social da Universidade Federal de Minas Gerais, brincou comigo dizendo que jornal ‘Estado de Minas” deveria mudar o nome para ‘Jornal de Itaúna’.
Continuei a dar ampla cobertura às atividades da Universidade até que ela se consolidasse e até que o ‘Estado de Minas’ passasse a ter o espaço de suas colunas na editoria de cidades altamente disputado. Tão disputado que a publicação de notícias promocionais passaram a ser cobradas, ou seja, passaram a ser matérias pagas.
Tudo o que acabo de dizer pode ser conferido nos arquivos do ‘Estado de Minas’, que na época ainda era jornal de tiragem média de cem mil exemplares. Além disso, era o órgão de imprensa que liderava a TV Itacolomi (era mais importante que a Globo Minas), a TV Alterosa, a Rádio Guarany, a Rádio Mineira, o Diário da Tarde (de Beagá), o Diário Mercantil, a TV Mariano Procópio e o Diário da Tarde (de Juiz de Fora).

José Waldemar Teixeira de Mello - Minas Gerais & coisas mais

"Farei com a pena o que Bonaparte fez com a espada" (Balzac).

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