Itaúna, 20 de julho de 2018

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12 de maio de 2018 às 07h00 - Atualizado: 09 de junho de 2018 às 10h16

Intercessão dos Santos? Mas é preciso fazer a nossa parte

Na semana anterior, terminei o editorial afirmando que “até os santos cansam”. Como católicos, sabemos que a oração e o pedido de intercessão dos santos são importantes para que a nossa caminhada no dia a dia seja profícua e nos permitam mais suavidade. Agora utilizar da oração para justificar uma má administração ou para justificar atrasos em pagamentos de salários é mesquinharia mesmo. E mais, é abusar da inteligência das pessoas e, principalmente, das professoras. Chegou-me a informação de que o nosso excelentíssimo prefeito, Dr. Neider Moreira, disse em reunião com as diretoras da rede municipal de ensino que os salários das professoras referentes ao mês de abril somente serão pagos no próximo dia 17 e que os motivos são os atrasos nos repasses do Fundeb pelo governo de Minas. Complementando o discurso e as justificativas, o prefeito nos fez lembrar um ex-governador, já falecido, Hélio Garcia, que afirmou em discurso devido à greve das professoras à época que “elas não ganhavam pouco, eram mal casadas...”. O nosso prefeito disse às diretoras que as professoras itaunenses começassem a rezar, porque a situação iria é piorar devido aos atrasos nos repasses. Sinceramente, isso não é conselho para se dar e as justificativas para os atrasos não são convincentes, pois está evidente que o problema em Itaúna é de caixa, visto que, pelo menos 20 cidades da região já efetuaram os seus pagamentos ao professorado, mesmo com os atrasos dos repasses do governo. E mais, rezar é muito bom, mas é preciso que façamos a nossa parte, e no caso em epígrafe faz-se necessário que o senhor prefeito faça a sua parte, começando, por exemplo, a governar. É preciso que ele enxugue a máquina, que ele faça as obras necessárias, que tome as providências em relação aos percalços sociais, como o crescimento dos moradores de rua, a melhora do atendimento à saúde em todos os níveis, porque a anunciada melhora é fictícia. Para se ter uma ideia, em 1 ano e 5 meses de governo, Neider até agora inaugurou uma creche que estava pronta, no bairro Itaunense, uma balança no aterro sanitário, que foi doada pelo Servas, e recentemente um telhado em uma quadra na escola Dr. Lincon Machado. É muito pouco para quem planejava e prometeu uma Itaúna transformada em canteiro de obras e uma administração pública eficiente. E se existem outras ações salteadas cidade afora, é porque há o trabalho de vereadores que buscaram emendas junto a deputados, aliás, em se tratando de emendas, algumas podem ou foram perdidas por falta de projetos, ou seja, por incompetência. Com esses recursos algumas ruas foram e serão asfaltadas e outras ações serão feitas. Essa semana, como não bastasse tudo o que está acontecendo, o ex-vereador João José usou a tribuna da Câmara para cobrar uma dívida da Prefeitura relativa a serviços prestados ainda no carnaval. O ex-vereador, indignado, bradou em alto e bom som que, se não tinham dinheiro para fazer festa, que não a fizessem, que passou da hora de “Itaúna sair da ‘Ilha da Fantasia’ e encarar a realidade. É preciso que o prefeito pare de culpar os outros, uma hora a culpa é do Osmando, em outra é do governo...”. Concordamos com ele em todas as suas coloca- ções e achamos ainda que é preciso que o prefeito saia da defensiva e encare a situação, que se não foi criada por ele na totalidade, muito do caos financeiro e administrativo é culpa sua, pois não soube formar um governo atuante, comprometido e competente. Se ele, para garantir ampla vantagem de votos, trabalhou para ganhar a eleição, fazendo compromissos e mais compromissos, que os assuma, mas não faça com que a população pague por isso tendo que conviver com os desserviços de uma equipe que não tem nenhum comprometimento com o cidadão Itaunense e há 18 meses só olha para o próprio umbigo. É como afirmamos na semana anterior: é preciso rezar, mas até os santos cansam. E é preciso fazer a nossa parte. Haja rosários.

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