Itaúna, 20 de outubro de 2018

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13 de janeiro de 2018 às 07h00 - Atualizado: 03 de fevereiro de 2018 às 10h23

Homenagem à jornalista que foi processada ll0 vezes

Elvira Lobato, uma das mais destacadas repórteres do Brasil, foi a jornalista homenageada no Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
Reconhecida pela produção de importantes reportagens investigativas, Elvira é vencedora de sete prêmios de jornalismo (Folha – por duas vezes –, Embratel, Esso, Comunique-se e Troféu Mulher Imprensa). Segundo o site da Abraji, a curiosidade e a vontade de investigar a veracidade de informações são os traços distintivos da repórter, que coleciona algumas das histórias mais marcantes do jornalismo brasileiro.
Em 1989, por exemplo, na Folha de S.Paulo, ela decidiu se tornar acionista da Petrobras para conseguir entender melhor o funcionamento da empresa. Depois, no inicio dos anos 2000, quando a Oi iniciou o processo de compra do Portal iG, Elvira fez a mesma coisa, tornou-se acionista da empresas compradora. “Eu me lembro de chegar no prédio da Bolsa de Valores, de ver os jornalistas reunidos e de passar por eles, entrando na sala dos acionistas. Lá estavam representantes e advogados dos grandes acionistas e o Otávio Azevedo, que era presidente da Oi. Todos me reconheceram e estranharam, mas eles não podiam fazer nada porque eu era acionista. Quando a votação foi feita, eu me abstive. Tudo o que eu queria era acesso aos documentos com informações que os acionistas têm e que o público fica sem”, disse ela à Abraji.
Foi na Folha que, em 1986, Elvira produziu a reportagem que considera uma das mais importantes de sua carreira. O trabalho, denominado “Serra do Cachimbo pode ser local de provas nucleares”, revelava a construção, pela Aeronáutica, de um poço para testes nucleares no Pará. Com a repercussão da história, o poço foi fechado. A reportagem, capa da edição de 8 de agosto daquele ano, não ganhou a assinatura da jornalista, pois o jornal achou melhor não identificar as pessoas envolvidas na apuração por razões de segurança.
Anos depois, em 2008, Elvira recebeu o Prêmio Esso de Jornalismo pela reportagem “Universal chega aos 30 anos com império empresarial”, também publicada pela Folha de S.Paulo, que revelava uma rede de empresas ligadas à Igreja Universal. Em retaliação à publicação, a Universal orientou seus fiéis a entrarem com ações judiciais contra Elvira e a Folha. Em um dos maiores assédios jurídicos da história do jornalismo brasileiro, foram movidos mais de 110 processos em vários Estados e cidades.
O constrangimento causado pelas dezenas de ações judiciais, que exigiam a presença de Elvira em audiências por todo o país (às vezes, algumas marcadas nos mesmos dias e horários), abalou a repórter. Três anos depois, ela deixaria o jornal. Em 2016, ela publicou uma reportagem multimídia na Agência Pública sobre concessões de TV na Amazônia Legal. “Definitivamente eu não parei. Achei que tinha terminado esse ciclo, mas vi que não. Continuo produzindo pautas. Penso como repórter”, disse ela para a Abraji. “Se você é repórter, e você vê um fato, não pode ignorar. Sempre carrego na bolsa um gravador, o bloco de anotações e uma caneta. Nunca perdi esse hábito.” Atualmente, a jornalista trabalha produzindo reportagens para uma publicação, que apresenta perfis e textos sobre mulheres que estão nessa faixa etária.
Mineira, Elvira começou a trabalhar como repórter ainda antes de se formar: em 1973, estreou na coluna social da Gazeta do Povo. Conciliou as aulas na Universidade Federal do Rio de Janeiro com passagens pelo Diário de Notícias, pela assessoria de imprensa do extinto Inamps, pela iniciativa Lide (que produzia jornais sindicais), pelo jornal Luta Democrática e pela Última Hora. Como freelancer, colaborou para o Jornal Opinião e a revista da Fundação Getúlio Vargas.
A primeira reportagem de Elvira na grande imprensa, “ As Moças: O preço da liberdade em angústia e solidão, publicada em 20 de outubro de 1976, no Jornal do Brasil, já tinha a marca do estilo da repórter. Recém-formada, ela passou uma semana morando em uma das pensões para mulheres da rua do Catete, no Rio de Janeiro, para contar as histórias de quem moraria ali por muito mais tempo.

José Waldemar Teixeira de Mello - Minas Gerais & coisas mais

"Farei com a pena o que Bonaparte fez com a espada" (Balzac).

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