Itaúna, 15 de novembro de 2018

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26 de maio de 2018 às 07h00 - Atualizado: 16 de junho de 2018 às 10h49

HAMLET

William Shakespeare

Um clássico é sempre um clássico. Não li toda a obra de Shakespeare, mas li algumas obras, Hamlet, de todas as que li, é especial. Sou totalmente suspeito para falar dela, porque não a li no original, não tenho conhecimento profundo do que possa ter levado um autor a escrever um livro como esse. Enfim sou o menos indicado para falar de um monumento como é essa obra.
O que posso fazer é apenas falar do impacto dela, pois era muito jovem quando a li e até hoje tenho vivo na memória diversas frases que foram gravadas a cinzel e fogo, algumas muito conhecidas, outras nem tanto, que ditas assim fora de contexto são meras citações repetidas por muitos, sem o sentido que merecem.
Dela extraiu-se a expressão SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO? Que no ambiente criado pelo autor tem um sentido próprio, porém sua dimensão é universal e serve para qualquer situação.
Esta obra se trata de uma peça teatral dividida em cinco atos e conta a história de Hamlet, o príncipe da Dinamarca. Começa no castelo real de Elsinore, na troca da guarda noturna, quando Francisco vai ser rendido por Bernardo, mas ele não vem sozinho, está acompanhado de Marcelo um dos oficiais dinamarqueses e Horácio amigo de Hamlet.
Há duas noites, que os guardas relatam a aparição de uma figura durante a vigília da madrugada e sempre o mesmo vulto que não sabem dizer ao certo quem seja, mas que para eles é uma visão do falecido rei da Dinamarca, da qual Horácio está completamente incrédulo, achando serem apenas devaneios dos vigias, justificando ainda mais, ser por ele mesmo investigado.
Não tarda o fantasma do rei aparece e começa um monólogo que não tem qualquer continuidade, por que o espectro se ofendera com as imprecações de Horácio e se retirou sem dizer palavra. Horácio assustado, tem isso como mau presságio, tenta inclusive justificar a iminente guerra com Fortimbrás, Rei da Noruega; momento em que o fantasma volta, mas o diálogo não se estabelece e os soldados se vêm no direito de impedir sua retirada, ficando, contudo, a tatear no escuro, porque não são capazes de aprisioná-lo.
Hamlet está inconformado com a morte do pai, insatisfeito com a decisão de sua mãe, que mal esfriara o corpo de seu pai na laje fria do túmulo e já estava enrabichada com seu tio Cláudio, o novo Rei da Dinamarca. Nutria o desconforto de estar na presença de indesejáveis e de ver o trono nas mãos do ambicioso tio, alijado da condição de sucessor ao trono, desconfiado da morte inesperada e inexplicável de seu pai, queria por que queria respostas e o sofrimento só ia dia a dia consumindo suas entranhas.
Incapaz de uma solução satisfatória para seus temores, nutria uma dúvida sobre a morte do pai e a suspeita recaía sobre seu tio, que a todo custo tentava conquistar-lhe a confiança. Mostrava-se reticente, tresloucado, falando desconexamente, parecendo perturbado, normalmente triste e melancólico.
Para si porém, estava irado e confuso, não tinha discernimento quanto aos seus próprios sentimentos, vacilava entre um e outro pensamento. Quando viu sua mãe se atirar nos braços de seu tio, agora casados, teve um arroubo e disse: FRAGILIDADE TEU NOME É MULHER. Descreve assim a condição da mulher criada na corte, que com a morte súbita do marido se vê ao léu da sorte, desamparada e desprotegida, mostra também que essa mulher ignora as intrigas e maquinações do novo consorte.
O inevitável, porém, acontece. Horácio põe Hamlet à par do encontro nas muralhas, das visões noturnas presenciada pela guarda, por Marcelo e por ele. Despertado assim seu interesse, quer ele também um contato com o fantasma, ou seja, lá o que for a assombração. Meia noite e lá está ele na muralha à espera da aparição do espectro e não tarda que ele se apresente.
A figura fantasmagórica que se assemelha a seu pai acena para Hamlet, para que o siga. Horácio desaconselha que vá, mas Hamlet quer desvendar o motivo das aparições e segue-o. O espírito do pai lhe conta como se deu sua morte, quem foi o seu algoz assassino e o encarrega da vingança, de fato HÁ ALGO DE PODRE NO REINO DA DINAMARCA.
Nem se eu quisesse poderia te dar a ideia do que uma alma aflita é capaz de fazer para saciar a fome de sua aflição, contudo lendo esta tragédia você terá uma luz do que estou a dizer.

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