Itaúna, 22 de julho de 2018

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21 de abril de 2018 às 07h00 - Atualizado: 19 de maio de 2018 às 09h59

Existe um culpado?

Já usei esse título e se me lembro bem, foi em assunto que envolve temas polêmicos e de interesse público e que emanam a boa convivência humana. Esta semana as redes sociais trouxeram à tona um possível ato de assédio sexual ocorrido na nossa “Grande Universidade”. Textos sem autoria comprovada foram repassados compulsivamente, denunciando um funcionário de assediar uma aluna, provavelmente do 6º período do curso de Odontologia. A fofoca se alastrou rapidamente e o desenrolar da questão não mostrou até aqui nenhuma conclusão. Fica a pergunta: aconteceu ou não?
O fato é que, em momento em que campanhas são veiculadas pela grande mídia em todo o Brasil sobre assédio e convocam todos a denunciarem esse ato (seja onde for), principalmente no trabalho e nas escolas, aparece essa denúncia contra um funcionário da UIT. Não vamos, aqui, fazer afirmativas, até porque não podemos e não temos o direito, mas é fato que para ter crime é preciso ter denúncia, isso, para que se apure o ocorrido. E testemunhas ou flagrante. Até o momento nada disso aconteceu. Não estou aqui protegendo ou acusando ninguém, mas é preciso que a vítima reaja, e denuncie o ocorrido para que as providências policiais e jurídicas sejam tomadas. O disse-me-disse, e a falta de uma denúncia consistente, acabam por não deixar que os fatos sejam apurados devidamente.
O que posso afirmar é que nesse momento existe uma moça abalada, encurralada e anônima até aqui, que disse para alguém que foi assediada, e esse alguém foi para as redes sociais e levou a público a denúncia, pedindo providências. Quem foi assediada? Quem “pôs a boca no trombone?”. Ninguém sabe, ou, se sabem, estão agindo para proteger a escola, a UIT. E se isso está ocorrendo, aí não podemos concordar. A nota oficial da direção da escola superior é cabível e lógica. Mas, se é verdade que a direção da Universidade “abafou” tentativas de manifestação na porta da reitoria com ameaças a alunos, isso passa a ser passível de questionamento, uma vez que na escola deveria estar sendo praticada a discussão liberal de qualquer assunto, inclusive, o assédio. Uma das providências imediatas da direção deveria ser tomar providências para preservar o respeito à vida pessoal dos envolvidos, incluindo aí o acusado, pois, se nada está provado, ele até então é inocente, apesar das consequências sociais e familiares já estarem concretizadas, independente do desfecho.
As redes sociais estão aí, e contribuem para a agilidade na comunicação das pessoas e divulgação das notícias, mas a irresponsabilidade no seu uso está sendo extrapolada constantemente e as consequências são terríveis. É preciso responsabilidade. E urgentemente que se crie uma legislação que coíba os abusos. Temos avançado nesse sentido, mas ainda é muito pouca a responsabilização. Estamos, por exemplo, assistindo em todo momento atos que contemplam a vida particular de pessoas que exercem cargos públicos, os que têm a vida exposta, como artistas, jogadores de futebol, dentre outros. São fofocas, exposição da vida particular e íntima e até mesmo abuso.
Em minha opinião, é uma “baixaria”, que contém até mesmo palavras de baixo calão e indiretas grosseiras. Gosto de dizer que quem quer respeito que se dê o respeito, e a falta dele é visível neste momento, principalmente quando o assunto é o exercício da vida pública. Infelizmente a política está nivelada por baixo, mas isso não quer dizer que os cidadãos que tiveram educação familiar, que tiveram berço, tenham que conviver com o baixo nível imposto pelos que flutuam no poder e, por que não, do outro lado, nas redes sociais?
É inadmissível que pessoas que estudam e têm nível acadêmico e cultural acima da média tenham que assistir a atos praticados por vândalos, por causa da falta de preparo e de berço. É lamentável como as coisas vêm sendo conduzidas. É natural que para se obter sucesso interesses sejam contrariados e posturas que contrariem grupos e pessoas individualmente sejam tomadas, mas acima de tudo o respeito deve imperar para que as coisas não descarrilem e venham parar em lugar inadequado. Isso não quer dizer que pessoas tenham que ser e ter PHD em relações humanas, mas requer, no mínimo, formação de caráter e substancialmente berço, que é de onde vem à formação humana. Lamento muito por mais um fato sem resultado comprovado. Lamento pelo suposto autor e pela suposta vítima. Mas é por causa deste tipo de ato que conseguimos ver o lamaçal em que estamos enfiados até o pescoço. A humanidade está apodrecendo.

 

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