Itaúna, 14 de dezembro de 2017

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07 de outubro de 2017 às 07h00 - Atualizado: 04 de novembro de 2017 às 10h00

Esforçando-me para entender, mas está difícil...

Uma semana recheada de surpresas em se tratando de atos do Executivo e do Legislativo. Mesmo com os mais de 35 anos de militância na imprensa local, e a maior parte desse tempo fazendo jornalismo político, ainda surpreendo com determinados atos e suas justificativas, que são em minha opinião, obras primas do cinismo, da cara de pau e da sem-vergonhice dos que estão no poder e são os gestores da coisa pública.
Na terça-feira, na Câmara, ouvi que um pregão para a aquisição de material para a ETE, em construção, feito pela administração passada do Saae foi suspenso por irregularidades, como conluio e documentação irregular. Até aí tudo certo. Se está irregular, tem mesmo que ser suspenso. O custo do material conforme a denúncia seria entregue pela empresa vencedora da licitação por cerca de 940 mil reais. O novo pregão que acaba de ser concluído, que obviamente excluiu a empresa que ganhou no anterior, chegou ao valor de 1 milhão e 940 mil reais, mais do dobro, com a justificativa da direção do Saae de que no serviço público às vezes é preciso pagar mais caro para se fazer o certo. Acho que a diferença é muito grande, mais do dobro. E acho também que a justificativa não convence. Não pode haver diferença tão grande no custo dos materiais, já que os itens são os mesmos, pressuponho. Tem erro ou treta aí.
Depois desta denúncia, me vem outra. A troca do sistema de iluminação nas ruas principais está proporcionando uma melhora substancial da iluminação, as lâmpadas agora são de led, mas os valores anunciados são absurdos. No ano passado fizeram um escarcéu por causa da troca de iluminação, disseram que os preços estavam superfaturados, que isso e aquilo... Até acho que os preços dos serviços no ano passado também foram abusivos, mas está acontecendo o mesmo. Como pode essas luminárias e lâmpadas e braços (talvez?), custarem tão caros? Tem erro ou tem treta aí.
Como se não bastassem as duas notícias acima, vem outra de que os custos com o funcionalismo chegam aos patamares máximos permitidos. O prefeito não terá outra opção a não ser promover demissões de comissionados, que geralmente são os funcionários que trabalharam na campanha, os protegidos do chefe. E é aí que se sai em busca de alternativas. E a terceirização é a saída mais prática. Para não “inchar” os gastos com a folha ao teto permitido, opta-se por terceirizar os serviços. É um “jeitinho”. E ficam todos lá.
Agora é aguardar a licitação para o asfaltamento das ruas que estão em - petição de miséria - e já não comportam mais “tapa-buraco”. São R$ 3 milhões de financiamento junto ao BDMG, autorizado pela Câmara. E vem aí mais um pedido para autorização de empréstimo para obras na Jove Soares, seriam R$ 10 milhões. É saber se os custos das obras vão estar dentro dos padrões ou se mais uma vez, vão alegar que para se fazer direito é preciso pagar mais caro. O que defendo é que obras que permitam melhoras no trânsito e na qualidade de vida da população sejam feitas, mas com responsabilidade e seriedade com o dinheiro do povo e com os financiamentos que o mesmo povo vai pagar. Mas as obras de grande porte, podemos esquecer. Os cofres estão vazios e não há dinheiro para absolutamente nada, e vão continuar vazios, a arrecadação vai toda para a manutenção e a folha, e só. Observa-se que não há em quase 12 meses uma obra sequer que justifique o “sumiço” do dinheiro arrecadado. Isso, arrecadado, porque faturando Itaúna está, basta observar o aumento da receita dos últimos meses, apesar do prefeito sempre afirmar o contrário.
O fato é que a economia começa a aquecer e a cidade apesar do fracasso administrativo até aqui, está crescendo sem o apoio do setor público, quando o assunto é produção industrial. A iniciativa privada, como sempre, é o destaque do Município, que tem uma arrecadação compatível com sua população e seu status industrial. Do jeito que está, vamos viver até o final do mandato de Neider o maior a apagão da história de Itaúna. Um apagão generalizado, que na boca do prefeito pode se transformar e ou ter outro significado: blecaute. E continuamos na absoluta escuridão, isso, apesar das luminárias de LED.

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