Itaúna, 14 de dezembro de 2017

Cadastro

02 de dezembro de 2017 às 07h00 - Atualizado: 09 de dezembro de 2017 às 10h10

É um artista, pernóstico, na verdade

Em meus sucessivos anos de cobertura jornalística na Câmara Municipal de Itaúna, confesso que não havia deparado até então com um vereador atrevido, despreparado politicamente, presunçoso e emocionalmente descontrolado, como agora. Naquele espaço democrático, que pertence ao povo, já presenciei negociatas e negociações políticas, compra de votos, discursos proféticos e outras artimanhas e atos nem sempre bentos... brigas em defesa de interesses comuns e outras por interesses pessoais, posturas éticas e outras nem tanto. Enfim, na Casa do Povo, sempre existiu um vale tudo. Mas, quando se tem como interesse principal trabalhar em prol da melhoria de um todo, é importante que se tenha pelo menos respeito, primeiro com a coisa pública e depois para com os pares e para com o povo, que está sendo em minha opinião, achincalhado. Infelizmente, isso é uma utopia, pois o próprio povo complica sua representatividade ao não votar com sapiência. E assim, o nível do Legislativo, eleição pós- eleição vai decaindo e a permanecer desse jeito, vamos chegar a patamares tão rasteiros que não haverá alternativa, a não ser nomeá-lo, como muitos já o fazem, um circo.
Fico espantado com o despreparo dos representantes escolhidos do povo, mesmo que esses tenham formação de segundo grau ou nível acadêmico. Uma lástima, pois no Legislativo deveria estar discutindo formas jurídicas e políticas para as ações públicas e não se fazendo política porca em função do poder, como está fazendo o Senhor Márcio Pinto. Um despreparado, um boquirroto. A postura do presidente da Câmara vem se revelando cada vez mais pessoal e centrada em seus interesses ou, porque não, nos seus sonhos políticos, em nenhum momento, apesar de sua postura tentar mostrar o contrário, o Senhor Pinto, mostrou-se um democrata, um homem público de verdade. É tão forçado o seu desempenho que soa falsa a sua postura, o que pôde ser visto na reunião da terça-feira, quando o mesmo tentou emplacar um projeto que fazia corte de cargos comissionados, conforme recomendado pelo Ministério Público. O Senhor Pinto, para tentar convencer o plenário e se sair bem com a população, transformou a reunião em um show, em espetáculo do qual se tornou o ator principal, porém canastrão, pois não convenceu ninguém com seu discurso egocêntrico. A performance do presidente Pinto foi tão forçada e pirotécnica que ele esqueceu que estava explanando para o plenário, para quem deveria estar voltado. Preferiu olhar para a câmera que filmava a reunião e a transmitia via YouTube. O resultado lógico: irritou os pares, que em maioria, votou contra as pretensões do pop star. Veio a expressão de decepção, estampada sem que ele conseguisse disfarçar.
Na quinta-feira, veio a confirmação de tudo que está narrado acima, inclusive com as opiniões. O Senhor Pinto, não suportando as opiniões publicadas nas redes sociais, partiu para o ataque em uma reunião extraordinária, convocada pelo prefeito. É importante frisar que os vereadores foram convocados em cima da hora e pelo WhatsApp, em um claro descumprimento do Regimento Interno. Se bem que, o documento que rege a Câmara possibilita interpretações diversas. Mas mesmo assim, em minha opinião, agiu de forma covarde, mesquinha e mais uma vez egocêntrica, para não dizer desrespeitosa e até truculenta. Ofendeu um vereador, não lhe deu o direito de resposta e não permitiu que sua fala fosse registrada na totalidade em ata. Covardia. E mesmo que o Regimento seja interpretado em seu favor, considero a postura uma vergonha para um poder constituído pelo povo. E o mais grave, com as suas atitudes, ele feriu a Constituição Federal, atropelando a liberdade de expressão. É direito do cidadão ou do homem público se expressar e opinar onde e como bem entender, desde que assuma a responsabilidade do que está expressando. O meu caso aqui. O vereador não é obrigado a expressar somente em plenário. As mídias múltiplas estão aí para serem usadas com liberdade e também responsabilidade. Enfim, acho que o Senhor Pinto é de fato um grande artista, e sempre mostrou isso nos palcos do show business com seus shows de pop rock e MPB, que são apreciadíssimos, inclusive por mim. Mas como político, está mais para cantor de botequim, não enxerga um palmo à frente do nariz e está enfiando os pés pelas mãos, literalmente. Seria bom ele lembrar que está administrando uma Casa que é do povo e o dinheiro é público, em sua totalidade. Discursos demagogos e postura pernóstica servem para iludir uma camada de desinformados, que vivem no mundo da lua. E só.  

Colunas recentes de Renilton Gonçalves Pacheco - Na ponta da caneta