Itaúna, 26 de setembro de 2018

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24 de fevereiro de 2018 às 07h00 - Atualizado: 24 de março de 2018 às 10h29

É preciso ouvir e efetivar o entendimento

Essa semana, por mais de uma vez, fomos interpelados em plena via pública, por cidadãos, alguns formadores de opinião, outros considerados comuns. Mas todos eles fizeram questionamentos sobre o que achamos do andamento da administração municipal, expressando queixas e certo arrependimento pela escolha do atual prefeito, que segundo eles, tem deixado a desejar e é uma verdadeira decepção. Em resposta, quase sempre, temos ponderado em prol de Itaúna. Argumentamos que o prefeito tem apenas 14 meses de governo, que há uma crise em trânsito e que é preciso aguardar mais um pouco para ver se vai haver alguma reação. Porém, as reações a essas ponderações não tem sido positivas e a irritação do contribuinte para com o senhor prefeito e seu estafe já chega a patamares irreversíveis. Diante disso, fomos buscar uma explicação para tamanha revolta e nível de cobrança. E não foi difícil concluir que a culpa é totalmente do Neider, pois ele foi para as ruas e prometeu ‘mundos e fundos’, afirmando sempre que os problemas vividos pela população nas administrações anteriores existiam por falta de critérios administrativos e por displicência dos ex-governantes. Agora ele vivencia o que criticava, não consegue fazer uma obra sequer, não consegue manter os serviços básicos funcionando, como capina e varrição oua manutenção das vias públicas tampando os buracos, que já estão virando crateras e já começam a engolir os carros. O prefeito alega que o período é de chuva e não adianta capinar e muito menos tampar os buracos. Mas a população não entende assim, e acha que os serviços tem que ser executados initerruptamente. E ela tem razão.
Em nosso entendimento, infelizmente, Neider não está é preocupado em governar, e sim em manter o poder. Afirmamos isso porque o prefeito não dá sinais de que pretende modificar a maneira de administrar e muito menos de que vai mudar a sua equipe, buscando melhorias no relacionamento com a população. É visível que a insatisfação é geral e o que se espera é uma reação imediata do governante. Porém, essa é uma incógnita. Em nossa opinião, é preciso, e com urgência, que o prefeito venha a público através da imprensa e também de forma presencial nas ruas e converse com o cidadão, convencendo-o de que a situação é transitória e que as melhorias virão. Mas mais uma vez, não acreditamos nisso, pois as informações são de que Neider afirma que está fazendo a melhor administração que Itaúna já viu e que está tudo sob o controle. Em seu entendimento, Itaúna está avançando e não há o porquê da população reclamar. E assim os dias passam.
De fato Itaúna se mantém e até avança mesmo, mas devido ao fomento industrial individualizado e ao associativismo, e não há nenhuma participação do poder público nesse avanço. É de nosso conhecimento que o prefeito tem pregado em discurso, que Itaúna vai ver um “boom” em 2018. Ele contabiliza milhares de empregos e cita o funcionamento da Siderurgia Ferguminas previsto para abril, a abertura de mais duas unidades dos Supermercados Rena, a abertura do Atacado Mart Plus Minas, a abertura de uma fundição, e a construção do novo fórum e a sequência da construção da nova prefeitura. Se as expectativas se concretizarem, teremos de fato, uma centena de empregos, o que reflete no comércio de forma imediata e movimenta a economia local.
Porém, ao contrário do que prega o nosso prefeito em seus discursos, a participação da administração municipal nesse provável “boom”, é meramente institucional, na aprovação de plantas, correção ou denominação de áreas ou na expedição de documentos, o que é natural. Incentivo? Como tem afirmado o prefeito, não há. A participação do poder público é obrigação.
O que Neider precisa fazer para mudar as coisas é muito simples. Primeiro ele precisa buscar meios que lhe deem governabilidade. Ele não tem o governo sob o seu controle. Depois é necessário dialogar com os poderes constituídos e com a sociedade num todo. É preciso saber o que todos estão pensando, o que querem e o que é prioridade. É necessário dinamizar a administração, buscando meios de se fazer um trabalho conjunto. Nesse momento, todos, literalmente, estão ‘dando tiros para todos os lados’. Vereadores reclamam da falta de entendimento, o empresariado de todos os setores se sente isolado, o cidadão está convencido que foi abandonado e não tem os serviços essenciais conforme imaginava e nesse estado de descrédito e irritabilidade do cidadão, o governo moderno, eficiente, e de um novo tempo, não consegue decolar por um único motivo: é preciso via de mão dupla.

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