Itaúna, 19 de novembro de 2017

Cadastro

04 de novembro de 2017 às 07h00 - Atualizado: 18 de novembro de 2017 às 10h00

É muito descaso com a coisa pública

O nosso prefeito da mudança (A mudança ainda vem aí...) na semana que passou, extrapolou os limites do bom senso. E não é preciso muito esforço para concluir isso. Confesso que cada vez mais, me surpreendo com as atitudes no nosso alcaide. Chega-me a informação de que ele, em discurso em solenidade que prevê a construção de 208 casas populares por meio de convênio com a COHAB, teria reclamado de que está sofrendo uma das maiores oposições já vista em Itaúna, e que há um abuso nas redes sociais, que estão erradas e deturpam tudo. Ora, ora, ora... Ele não tem razão. A maior oposição já feita em Itaúna nos tempos modernos, ou nos últimos 20 anos, foi liderada por ele. Osmando e Eugênio Pinto sofreram em suas mãos.
Quanto ao fato de as redes sociais estarem sendo usadas de forma errada. Não concordo. Elas proporcionam hoje a agilidade dos acontecimentos e todos viraram fiscais. Tanto o é que a atitude mal pensada do prefeito no último fim de semana, quando o mesmo achou que poderia ser privilegiado em uma unidade pública de saúde e levou uma “parenta” para ser medicada sem passar pelos procedimentos que os “pobres mortais” precisam passar como fazer ficha, esperar por sua vez na fila obedecendo à ordem de chegada, dentre outros, foi documentada por vídeo e se espalhou rapidamente. Por que não espalharia? Não vejo motivos para não ter sido divulgado e questionado. O cidadão ou cidadã que efetuou a gravação e postou nas redes sociais está coberto de razão, pois, o homem público, se não o é, deveria ser o espelho da sociedade, então, deve ser e dar exemplo. Principalmente no caso do Plantão 24 Horas que é administrado por ele. E mais, o prefeito é médico, conhece bem os problemas enfrentados no Plantão, pois foi crítico ferrenho do atendimento no local durante anos seguidos. E qual o motivo do privilégio? A justificativa dada no gabinete e a orientação repassada aos asseclas, para ser espalhada, de que estava fazendo a fiscalização do atendimento no Plantão, é no mínimo ridícula. A outra, de que como médico, membro do corpo clínico do Hospital e médico concursado da Prefeitura ele teria livre acesso ao Hospital e ao Plantão, então ainda municipal, é de uma hipocrisia absurda. E mais, há ainda a questão do respeito para com o cidadão comum que não tem alternativas de atendimento e é obrigado a enfrentar e se contentar com o que lhe oferecem, ou seja, o atendimento, até então “meia-boca” que era oferecido pela Prefeitura. Agora com a administração a cargo do Hospital, pode ser que haja uma melhora. Não acredito muito, mas...
Além das peripécias protagonizadas nos corredores do Plantão, trajando bermudinha, o que para um médico e prefeito não fica bem, há ainda o desprezo para com o cidadão já protagonizado na semana anterior, ao insistir na aprovação de projeto que institui o 13º para o prefeito e o vice. Outro desrespeito escandaloso. E não acredito que esse objetivo esteja esquecido. O prefeito vai insistir em novo ataque à Câmara, pois acha que é direito seu ter o “presentinho de Natal no valor de R$ 25.000,00”.
Para completar a série de peripécias, na quarta-feira, dia 1º, motivados pelo início do mês de novembro, dedicado à campanha denominada “Novembro Azul”, quando se motiva os homens a fazerem exames preventivos para a detecção do câncer de próstata, os membros do governo (assessores criativos), se acharam no direito de deturpar o Brasão de Itaúna, anexando ao mesmo um bigode para promover o envolvimento da Administração na campanha “Novembro Azul”. A iniciativa, que deve ter sido tomada por ignorância, é de uma profunda falta de respeito para com os símbolos oficiais, o que caracteriza até mesmo crime com detenção de 2 a 4 anos. A peripécia, que, com certeza foi montada por pura ignorância, não ficou por muito tempo exposta no site oficial do Município, mas foi tempo o suficiente para que se confirmasse o que já temos a certeza: estão gerindo e tratando a coisa pública com um descaso, nunca visto. Nem mesmo o pernóstico Eugênio Pinto, chegou a tanto, talvez por não ter a formação acadêmica e a prepotência do atual alcaide. Lastimável, mas foi uma opção pela mudança. E que mudança.

 

Colunas recentes de Renilton Gonçalves Pacheco - Na ponta da caneta