Itaúna, 25 de maio de 2019

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23 de fevereiro de 2019 às 07h00 - Atualizado: 27 de março de 2019 às 08h56

Doutor Augusto Gonçalves de Souza Moreira

O Doutor Augusto Gonçalves de Souza Moreira nasceu no Arraial de Santana do São João Acima, aos 29 de julho de 1861, filho de Manoel José de Souza Moreira e sua esposa, Dona Anna Joaquina de Jesus, originários de Bonfim. Cursou o tradicional Colégio Caraça e graduou-se, em Medicina, em janeiro de 1888, pela conceituada Faculdade do Rio de Janeiro. Faleceu em 20 de maio de 1924.
Foi constituinte de 1891, deputado à primeira e segunda Legislaturas Republicanas e prefeito de Itaúna, por cinco mandatos. Sua vida se confunde com a própria existência do município, do qual foi o criador, e, por sua ação, exemplos e ensinamentos, ele se tomou, por consenso unânime de seus concidadãos, a mais exemplar e importante personalidade de toda a nossa história municipal.
A modéstia, a bondade e a obstinação ao cumprimento do dever foram as principais características da fecunda personalidade do dr. Augusto Gonçalves de Souza Moreira. Era ademais, sóbrio, culto, digno, conciliador e exemplarmente honesto. A medicina para ele, competente e caridoso, foi exercida de forma verdadeiramente sacerdotal. Ao longo de 35 anos, com simplicidade e mansidão evangélicas, dia e noite, a todos atendia no consultório de sua residência, que não possuía, sequer água encanada, ou, então, em toda a área rural de Santana e dos municípios próximos, que percorria incessantemente, a cavalo, por difíceis caminhos.
Somente uma pré-condição existia: não cobrar ou aceitar pagamento dos pobres, pois tratava-se de compromisso a ser fielmente cumprido, ao longo de toda a sua existência, fato singular e honesto da história do município, transmitido pela tradição oral e confirmado pelo testemunho unânime de seus contemporâneos e de todos aqueles que sobre ele escreveram.
Dr. Augusto, a seu modo, com a sua serenidade, desambição, fé e energia ghandianas, foi, em realidade, no plano municipal, sem cultivar o radicalismo inadmissível em sua harmônica personalidade, um grande revolucionário. Foi também por sua ação e sua obra, porta voz das causas mais nobres, trabalhador incansável pela melhoria das condições de vida da população, indutor do progresso, renovador das estruturas sociais, agente e símbolo de luta pela emancipação política, e, finalmente, o criador do município de Itaúna.
A fixação do Dr. Augusto Gonçalves de Souza Moreira, no mês de janeiro de 1888, em sua terra natal, após completar sua formação cívica e intelectual, no colégio Caraça e faculdade no Rio de Janeiro, se caracteriza como momento decisivo, visto que a sua personalidade baliza os dois períodos básicos em que se divide a história municipal. Em 1887 termina a fase pioneira do povoamento do território e da estruturação do arraial e do distrito de Santana, para dar-se início ao efetivo movimento da criação do município de Itaúna, com o seu despertar para o desenvolvimento harmônico e global.
A esta tarefa, Doutor Augusto Gonçalves de Souza Moreira entregou-se, por inteiro, pois Itaúna, para ele, não seria um trampolim político, tema para estéreis e elitistas discursos e debates de natureza ideológica, mas, sim, o devotamento e a paixão de toda uma existência.

REFERÊNCIAS:
Pesquisa e Organização: Charles Aquino
Colaboradores: Professor Luiz Mascarenhas e Alexandre Campos
Acervo: Instituto Cultural Maria Castro Nogueira
SOUZA, Miguel Augusto Gonçalves de. História de Itaúna, BH, Ed. Littera Maciel Ltda, 1986, p.101. Vol.1.

Prof. Luiz Mascarenhas - Prof. Luiz Mascarenhas

ITAÚNA amanheceu mais pobre em seu cenário humano na manhã cinzenta do sábado, dia 12 de março do corrente ano. Partia para a eternidade o nosso tão querido Pe. Nilo.
Deixo aqui, a minha pequena contribuição sobre a Vida deste homem, com quem convivi desde a minha infância. Lembro-me bem da calça adidas, com as três listras, a camisa de malha branca, os tênis e um fusquinha que não me lembro bem a cor.
Todos os alunos postos em fila na linha vermelha da quadra e em silêncio. Seis horas da manhã. O relógio da Matriz de Sant’ana ecoava por toda a Itaúna a sua primeira badalada. E ele começava sua aula de Educação Física: “o anjo do Senhor anunciou a Maria...”
Nilo Caetano Pinto nasceu no distrito de Antônio dos Santos, em Caeté, Minas Gerais, em 24 de março de 1930. Era o filho mais velho de Carlito Caetano Pinto e Antônia Luiza Dinis e teve mais seis irmãos. Órfão de pai aos 11 anos, começou a trabalhar para ajudar em casa, sem deixar de lado os estudos, que seguiu até graduar-se em Educação Física pela UFMG.
Chegou em nossas barrancas ( graças a uma indicação do Cel. José Lázaro Guimarães- cunhado do Dr. Guaracy), já casado com Florescena Diniz Guimarães Pinto e tiveram teve oito filhos, dos quais conheceu 12 netos e um bisneto.
O nosso então Prof. Nilo lecionou na Escola Normal, a Escola Estadual de Itaúna, por 34 anos, como professor e vice-diretor. No Colégio Santa’Ana ficou durante 26 anos.
Nilo sempre foi um homem de Fé. Sempre engajado nos movimentos da Igreja. Ajudava com sua Família na Igreja da Piedade e na comunidade Sagrada Família do Bairro Cerqueira Lima, pois residia naquela região.
Em 1982, dona Florescena, sua esposa, veio a falecer. E aos 52 anos, ainda criando os filhos, resolveu dizer sim ao chamado desse Deus. Assim sendo, encaminhou-lhe Dom Cristiano Penna para a Faculdade de Teologia, da PUC Minas, em Belo Horizonte. Foi ordenado padre por Dom José Belvino do Nascimento, aqui em Itaúna no ano de 1990, no Poliesportivo JK.
Muitos o chamavam de “o homem dos 7 sacramentos”. Para nós católicos, os sacramentos são sinais visíveis da graça de Deus. São veículos dessa graça. E a maioria dos homens parte deste mundo com 6 sacramentos; pois ou se tem o sacramento do matrimônio ou o da Ordem ( que confere o sacerdócio católico).
Pois bem. O nosso Pe. Nilo partiu daqui na plenitude da graça! Com todos os 7 sacramentos! O último foi-lhe ministrado no leito do hospital, a unção dos enfermos, que o preparou para ir de encontro a Deus.
Em meio a tantas crises; eis o exemplo de Padre Nilo para nós. Exemplo de pai, de padre, de fidelidade, à Deus, à sua Palavra sobretudo. Enquanto esposo, honrou plenamente seu casamento sendo-lhe fiel até a morte de sua esposa. Enquanto padre, honrou plenamente o seu sacerdócio, sendo-lhe eternamente fiel. Enquanto homem, honrou plenamente a espécie humana, sendo humano com os humanos!
Descanse em Paz meu Pe. Nilo. Recebe agora a coroa da Justiça, a qual o Senhor, Justo Juiz, lhe deu naquele dia!
Misture sua luz a das estrelas...cintile quando o dia clarear.
Réquiem aeternam dona eis Domine, et lux perpetua luceat eis.

*paroquiano de Sant’ana

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