Itaúna, 19 de novembro de 2017

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11 de novembro de 2017 às 07h00 - Atualizado: 18 de novembro de 2017 às 10h00

Dois assuntos. Pontos de vistas diferentes

A semana foi marcada por dois assuntos polêmicos e de grande interesse público. O primeiro refere-se à audiência pública da Saúde, realizada na quarta-feira no Plenário da Câmara e o segundo, referente à revisão do Plano Diretor, que teve audiência pública de apresentação na quinta-feira, realizada no teatro Sílvio de Matos. Em ambas as audiências, houve polêmica nos questionamentos. Na de Saúde, a vereadora Márcia, por exemplo, questionou gastos com compras de medicamentos em patamares já mais vistos, o assunto é grave e pode render desdobramentos. Na audiência do Plano Diretor, muita discussão envolvendo empresários e proprietários de imóveis, principalmente na região da barragem do Benfica. Os dois assuntos mexem diretamente com a vida dos cidadãos e precisam ser discutidos de forma mais ampla.
Na questão da Saúde, além dos problemas com as aquisições de medicamentos, afloram os problemas de atendimentos nos PSFs, no Plantão 24 Horas e as eternas filas para cirurgias via SUS. Esses problemas perduram e não há nenhuma expectativa para uma solução, mesmo que paliativa. Esta semana tivemos a oportunidade de conversar com o secretário de Saúde, informalmente, no pátio do Hospital Manoel Gonçalves, e ouvimos do mesmo que os problemas no setor de saúde não são privilégio dos itaunenses, e talvez os nossos sejam mais amenos que os de cidades vizinhas como Divinópolis e Pará de Minas. O secretário disse que o sistema e o atendimento à Saúde, são complexos e demandam critérios e esforços. Entre os problemas sérios está o atendimento no Plantão 24 Horas, segundo o secretário, mais de 5 mil atendimentos foram computados no mês de outubro, último mês sob a responsabilidade da Prefeitura. Destes, pelo menos 60% poderiam ter sido feitos nos PSFs, desafogando o Plantão, frisou Fernando. Concordamos com ele, mas ficam as perguntas: os PSFs estão aparelhados para prestar o devido atendimento? Mantem médicos, enfermeiros, estoque de medicamentos e os prédios estão em condições reais de uso? Confesso que não sabemos, pois não visitamos as unidades, mas sabemos que algumas estão em péssimas condições.
Outro problema levantado pelo secretário foi o fato dos hospitais de cidades vizinhas como Pará de Minas e Mateus Leme, não estarem atendendo seus pacientes como deveriam o que sobrecarrega a unidade Itaunense. Em Pará de Minas o Hospital Nossa Senhora da Conceição, está com a emergência fechada e os médicos estão sem receber faz quatro meses. Os pacientes procuram atendimento, então, em Itaúna, pois a UPA de Divinópolis está sempre sobrecarregada e não atende sequer a demanda local. Para se ter uma ideia, depois dos atendimentos aos itaunenses, os pacientes de Mateus Leme são os mais atendidos em Itaúna, seguidos dos pacientes de Itatiaiuçu. Agora ainda tem os de Pará de Minas e de outras cidades como Crucilândia, Piracema, Rio Manso, dentre outras.
Portanto, em meio a um sistema de atendimento falido à saúde, o que é notório em todo o país, o município precisa criar meios de buscar alternativas para atender bem os itaunenses, pelo menos essa foi à promessa do prefeito em campanha. Com a transferência do atendimento do Plantão para o Hospital, o que se nota, nesses primeiros 10 dias, é que as coisas estão se adequando, e tendem a melhorar, mas muitos passos terão que ser dados. Esse é o nosso ponto de vista.
A outra questão, que trata da audiência pública para discutir a revisão do Plano Diretor acontecida na quarta-feira, o que temos a opinar é que não houve debate, como afirma a administração municipal em release à imprensa. E o mais agravante é que não se buscou até aqui um diálogo com as partes interessadas. Os empresários da construção civil, por exemplo, já falam em migrar para outros centros, pois não conseguem emplacar seus projetos na cidade, isso significa menos arrecadação, menos emprego, menos giro de dinheiro no comércio. Os empresários, proprietários de terrenos no entorno da cidade, como na região da Barragem do Benfica, também já não olham com bons olhos os investimentos futuros, pois não vão conseguir criar novos condomínios, hotéis e pousadas. E por aí vai... Além destes, os ambientalistas também não estão satisfeitos com as propostas apresentadas na revisão do Plano Diretor, pois, esses nunca estão satisfeitos com nada e acham que suas reivindicações não foram contempladas a contento. À nossa conclusão é a de que não se debateu as propostas como deveria, pois não houve uma abertura para tal e os pontos de vistas são incongruentes. Assim, mais uma vez Itaúna fica prejudicada, pois com a proposta apresentada, a cidade está engessada e seu desenvolvimento urbano não contempla as propostas de ninguém, ou seja, nenhum setor está satisfeito. Esses são nossos pontos de vista.

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