Itaúna, 23 de outubro de 2017

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07 de março de 2015 às 00h00

Conversa fiada

Tenho afirmado nas conversas sobre política que Itaúna hoje tem uma das mais fracas composições de uma Câmara de vereadores dos últimos 40 anos. Afirmo 40 porque acompanho o Poder Legislativo desde que pisei na redação da FOLHA em 1973. É uma Câmara sem inspiração, subserviente e sem integrantes brilhantes, com raríssimas exceções.  Nas últimas reuniões o limite do bom senso e da noção de que se está lidando com a coisa pública e que o Legislativo, apesar da deturpação das funções, ainda é um Poder importante dentro do regime republicano e democrático, o clima no plenário chegou à exaustão devido à postura de alguns vereadores, os ditos representantes do povo, que não tem noção alguma de que estão ali para exercitar a vontade popular, com atos que invoquem representação, fiscalização e poder.

Essa Câmara que aí está não exerceu, mais uma vez com raríssima exceção, nenhuma das suas funções com primazia. Ocupou-se até aqui em tratar miudezas, e essa postura acaba por impor ao povo as consequências. Este mês o itaunense passa a pagar a chamada “taxa do lixo”, que já está incorporada na conta do Saae, por exemplo. Isso é consequência da imprudência e até mesmo da ignorância da maioria dos vereadores, que além de pernósticos, não têm luz própria.

 Mas como em toda regra há exceção, dois vereadores, um conhecedor do processo político e do Legislativo e outro “marinheiro de primeira viagem”, resolveram exercer as suas funções de fiscalizadores de fato. Hudson Bernardes se aliou a Joel Arruda, que foi quem denunciou as irregularidades no asfaltamento de ruas, afirmando que o contrato estava sendo burlado, como sempre foi pelo Senhor prefeito. Hudson mais experiente, acabou por buscar mais informações e está aí configurado o crime de improbidade administrativa em licitação para a contratação de asfalto. Suspeita-se que cláusulas tenham sido colocadas no edital para dificultar o processo para outras empresas e para direcionar a licitação.

Com a denúncia configurada e feita com propriedade pelo vereador Hudson na tribuna e com farta documentação e com a afirmativa de que o Tribunal de Contas e o Ministério Público já estavam cientes, o improvável aconteceu. Alguns vereadores da base, daqueles que nenhuma luz própria tem e que não sabem o porquê estão sentados no plenário, mas que se acham super estar, resolveram se posicionar, afirmando que se provado o crime de improbidade, os 17 vereadores se posicionariam em favor da legalidade, buscando e apoiando uma investigação e o desfecho dela.

Afirmo com muita tranquilidade que duvido que a postura da maioria mude devido à denúncia e a já configurada improbidade administrativa. Pelo menos 12 vereadores, dos 17, não têm condições de “falar grosso”. Estão literalmente comprometidos com o Senhor prefeito, pois as benesses eleitorais e os favores diários não permitem uma independência de pensamento e de postura pública. É conversa fiada. Mas no fim do túnel há uma esperança, pois o povo está de um lado e é ele quem vai à urna, e isso, quando quer, ele sabe fazer, muito raramente. Mas como as coisas estão caminhando no país de forma atropeladora e esse povo que vota já não acredita em mais nada, pode ser que isso faça com que os vereadores que estão sendo tratados na base do ti,ti,ti... percebam que as coisas não estão tão brilhantes como eles pensam. Depois de dois anos e três meses de mandato, Osmando, deixa transparecer que o seu quarto mandato quase que pode ser comparado a um bacanal à moda romana, pois tudo se mistura e o vale tudo toma o lugar da seriedade, da probidade e da austeridade. O resto Senhores vereadores, é conversa fiada.

 

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