Itaúna, 18 de dezembro de 2018

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22 de setembro de 2018 às 07h00 - Atualizado: 20 de outubro de 2018 às 11h06

BENTO RODRIGUES

José Eduardo de Oliveira

117 ANOS E RAZÕES A SE PENSAR O aniversário de emancipação político-administrativa da cidade, no último domingo (16), trouxe ações culturais, de lazer e prestação de serviço na Praça Dr. Augusto Gonçalves, festival de cerveja artesanal na Jove Soares, dentre outros eventos, como um encontro de carros antigos. Percebo um esforço da atual administração em trazer algo de novo para Itaúna, tentando mudar as máximas “Itaúna não tem nada” e “em Itaúna não há nada para se fazer”. O cinema já provou que alavancar a economia por meio do entretenimento é perfeitamente paupável. Ponto para o governo e para os empresários (de fora) que assumiram o investimento. Contudo, não se vive só de aparências, como muitos alimentam nessa terra. O balanço de 117 anos é desanimador analisando o cenário como um todo.
PENSAR (2) Antes de mais nada, somos uma cidade sem memória. A especulação imobiliária, o egoísmo e a ganância pelo dinheiro soterram, dia após dia, casarões e edificações históricas, apagando o pouco que ainda se mantém de pé do início da nossa história – sobretudo na região central. Alguns dos poucos imóveis tombados estão à mercê da ação do tempo. Faz tempo, nosso museu municipal está literalmente abandonado às traças. O cidadão assiste pasmo, engolindo goela abaixo, a ausência de uma atuação firme (ou seria conivência?) do poder público.
PENSAR (3) No lado oposto ao passado, falta preocupação e planejamento para o futuro. Farmácias, lojas, postos de combustíveis e estacionamentos brotam a todo o momento, mas onde estão fábricas, indústrias e grandes empresas para geração de emprego em larga escala e oportunidade de crescimento profissional e salarial? O nível de qualificação profissional em Itaúna é baixo e são raras as oportunidades de se fazer carreira por aqui. Não existe plano, projeto ou iniciativa conjunta, sociedade/empresariado/poder público, sequer, que vislumbre um planejamento de crescimento para Itaúna a longo prazo. Não existe um grande projeto social: a cidade foi invadida por moradores de rua e a situação só se agrava. O que existe são paliativos. Paliativos não se sustentam.
PENSAR (4) Por fim, as divisões políticas e econômicas herdadas do coronelismo do Século XX, que só agravam a latente desigualdade social. Toda essa mentalidade trava o desenvolvimento social, econômico e humano de Itaúna. Não por acaso temos um considerável índice de suicídios. É preciso repensar a cidade por completo, começando pelo comportamento das pessoas, como cada cidadão está inserido nesse contexto e de formas cada um pode fazer a sua parte para mudar esse cenário. Do que adianta criticar a política, por exemplo, se você sequer acompanha os projetos de lei na Câmara Municipal? Os 117 anos de Itaúna seriam realmente felizes se vislumbrássemos esperança. É preciso nascer uma nova Itaúna. Itaúna pode e deve pensar grande.
POLÍTICA ASSISTENCIALISTA Na véspera das eleições, o que não faltam são candidatos forasteiros que caem de para-quedas em Itaúna em busca de votos. Não vivem na cidade, não vêm aqui nem a passeio. E aparecem nos meses que antecedem outubro. Política assistencialista que só atende a interesses particulares. Me lembra a velha tática do voto de cabresto. Doar carro e ambulância não resolve. Precisamos, sim, da conclusão das obras do Hospital Regional em Divinópolis, da construção de PSFs, de uma UPA, e por que não, de um hospital da Unimed. Se Itaúna cresceu, por que não pode ter uma saúde à altura? Créditos à atual gestão da Casa de Caridade Manoel Gonçalves que, mesmo diante de tantas restrições, tem conseguido melhorar a qualidade do atendimento do Pronto-Socorro. Aos aproveitadores políticos: estamos de olho!
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