Itaúna, 17 de dezembro de 2018

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05 de outubro de 2018 às 05h10 - Atualizado: 03 de novembro de 2018 às 11h06

A responsabilidade é sua

Neste fim de semana, precisamente no domingo, vamos exercer um gesto de cidadania que, além do simbolismo, vem acompanhado de uma responsabilidade sem tamanho, pois vamos decidir o nosso destino para os próximos anos. É uma eleição não só importante, mas que nos faz refletir sobre a responsabilidade da escolha. Com a polarização construída pelos partidos, mas principalmente pela situação política tumultuada em que o país vive nos últimos anos, o que levou a classe política a um descredito jamais registrado na história da república, temos uma eleição, em minha opinião, atípica, pois os nomes em tela não causam nenhum frisson e o fato da polarização nos levar a optar pelo menos ruim quando se avalia o panorama econômico, social e politico do país, fez com que a eleição fosse transformada em busca de uma saída para a crise. Mas que saída é essa? Entregar ao PT novamente os destinos da nação só pode ser definido como “burrice”. Optar por um deputado com origem militar e que sempre foi considerado do “baixo clero” no Congresso Nacional é uma incógnita, e pode levar o país ao caos. Mas precisamos decidir, e vamos, ao postar-nos por cerca de 1 minuto em frente à urna neste domingo. É uma responsabilidade. E por isso entendo que neste momento devemos buscar o que aprendemos ao longo da vida, refletir sobre princípios, conhecimento humanístico e filosofia de vida. Por mais que tenhamos políticos “atolados” em um “mar de lama”, ainda temos homens preparados, honestos e com visão pública, mas precisamos saber escolher. E isso é uma responsabilidade individual. Vai aí uma reflexão, ou apenas uma opinião:
Aprendi ao longo da vida que bicho ensinado não decepciona o dono, mas também aprendi que não se deve ter bicho preso, porque na primeira oportunidade ele escapa e sai em busca da liberdade. E não importa que liberdade seja essa, ela pode trazer transtornos, ou até ser a redenção de vários problemas, mas sempre será a liberdade. Com o bicho homem não é diferente, e mesmo que ele bata no peito e diga que é livre, já nasce preso ao sistema imposto pela sociedade que ele acabara de ingressar. E é aí que se inicia um processo que vai durar, talvez, até o fim de sua vida nesta esfera. Briga-se, luta-se e busca-se a liberdade em todos os sentidos da vida. Conquista-se um espaço ali, busca-se outro acolá, e na soma uns mais que outros conseguem usar e estabelecer um elo entre liberdade e caráter, liberdade e inteligência. O livre-arbítrio não é para todos e sim para aqueles que têm a inteligência para conquistá-lo. Assim, inicio de forma talvez inversa um discurso que interessa a poucos, mas que é necessário. Centrado na liberdade, todos têm suas opiniões políticas, e muitos, além das opiniões, têm um posicionamento, enquanto outros são idealistas e uns poucos defendem um posicionamento político-partidário. A grande maioria apenas acha, por causa da liberdade, que tem o direito de opinar em tudo quando o assunto é política, isso mesmo sem saber do que está falando, na maioria das vezes, opina e defende uma causa política por paixão ou por pura pieguice. E o momento está propício para isso, pois estamos a poucos dias do término de uma eleição nacional, onde os interesses individuais e os coletivos são contrariados. E isso é o suficiente para gerar discussões e até, em nome da liberdade, comportamentos desrespeitosos por parte dos que, em nome dessa liberdade, não comungam com suas convicções político-partidárias, ou apenas políticas. Acho que a liberdade é a maior conquista que um homem pode obter, muitos optam pelo dinheiro, outros pelo status... Mas prefiro a liberdade de poder olhar para frente, e dizer que apoiei quem eu quis, votei como quis e trabalhei para quem eu escolhi, não dependo da opinião de ninguém e muito menos de catequese para viver em grupo. Seja ele político, espiritual ou social. Observo que muitos defendem suas “opiniões” de forma distorcida e se espelham no que não são para deixar transparecer que podem ser o que querem, mas não passam de marionetes. São os “macaquitos”, os papagaios de pirata, os que, na ânsia em saber tudo, não conseguem sequer saber se estão aptos sequer a opinar, principalmente sobre o que não entendem.
É lamentável ver o cidadão que prega a convivência pacífica e o amor entre os homens, ao ver seus interesses individuais contrariados, agir de forma brusca e até leviana. Antes de rezar e de pedir perdão, o que se deve é ter sabedoria para saber separar o joio do trigo e a plantação de “daninha”, de erva do campo. São dois extremos, e esses extremos devem ser observados sem paixão. Não se pode subjugar e nem sobrepujar os que por livre e espontânea vontade tomam as providências que julgam necessárias para a manutenção dos interesses coletivos. O mais importante é saber estabelecer que no jogo uns perdem e outros ganham. E mais importante que isso, é preciso ter discernimento para saber quem de fato ganhou e quem realmente perdeu. Que o Brasil amanheça mais leve, que o “comandante” e demais dirigentes tenham condições de planejar, praticar e escolher o melhor caminho a trilhar nesse mundo globalizado e ágil, mas intolerante.

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