Itaúna, 25 de maio de 2019

Cadastro

11 de maio de 2019 às 07h00 - Atualizado: 18 de maio de 2019 às 11h04

“O BOLSHOI” É AQUÍ

No repique dos tamborins, no som agudo do surdo de marcação, no molho melódico dos chocalhos, reco-recos, repiques e no ronco gostoso da cuíca, a escola amarela e preta vinha que vinha, com as suas lindas cabrochas, fantasias e alegorias, avançando e ocupando todos os espaços da Avenida Jove Soares. Era como um furacão. O povão aglomerado nos estreitos passeios ou espremidos na desconfortável arquibancada a tudo assistia, maravilhado com tamanha beleza.
Em meio a tudo, uma bandeira com um desenho sorridente vinha tremulando de um lado para o outro da estreita avenida. Espremido no meio das alas ricamente fantasiadas e dos gigantescos carros alegóricos, o casal condutor da bandeira executava um bailado ao ritmo do gostoso samba e se agigantava ao nível das grandes alegorias, cumprimentando as arquibancadas apinhadas de gente, se sacolejando. No início das arquibancadas a condutora do pavilhão da escola, como num passo de mágica, deu um pião e entre giros e mais giros sobre os calcanhares, fez a bandeira amarela e preta com o desenho sorridente flutuar no ar, ao mesmo tempo em que o seu parceiro, com a elegância de um príncipe Etíope, pulava, saltava, girava, fazia meias voltas torneadas e mensuras mil em sua volta. O público, boquiaberto e ao mesmo tempo confuso com tamanha beleza, se extasiava entre o aplauso caloroso e o silêncio profundo em respeito à tamanha desenvoltura do casal de bailarinos, que se exibia em frente à pujante bateria. No repique do gostoso refrão do Samba Enredo, a linda morena interrompeu os seus giros ao mesmo tempo que o seu parceiro, com as mãos de um nobre, pegou delicadamente uma das pontas do pavilhão preto e amarelo e o esticou frente à plateia, ao mesmo tempo que, com a simplicidade e humildade de um servo, fez uma reverência quase tocando o chão e, com a delicadeza de um querubim, beijou delicadamente o símbolo maior da agremiação carnavalesca. Um arrepio tomou conta de todos que o assistiam e o belo refrão entoado com entusiasmo pelas alas que passavam: ...AIÊ, Ê MAMÃE EU QUERO, QUERO O TEU AMOR, SE A CANOA NÃO VIRAR, GENERAL EU SOU... quase foi abafado pela explosão dos gritos que vinham das arquibancadas: “ZULU, ZULU, ZULU, é o Gil é a Beth, é o Gil é a Beth”.. enquanto o casal, lembrando Mickall Barishngkov e Natalia Makrova, do famoso balé Russo, entre giros, rodopios, meias voltas, torneados e mensuras mil, se afastava tremulando a pequena bandeira amarela e preta, que com sua boquinha de batom vermelho sorria como que agradecendo os aplausos do grande público presente...

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